Primeiros socorros em crises convulsivas: C.A.L.M.A.

Presenciar uma crise convulsiva costuma ser uma experiência impactante, especialmente para quem não está preparado. A reação mais comum é tentar ajudar de forma instintiva, mas nem sempre essas ações são seguras.

A boa notícia é que existem orientações simples, baseadas em evidência, que qualquer pessoa pode aplicar. O protocolo C.A.L.M.A. é uma dessas ferramentas, amplamente difundida por instituições especializadas em epilepsia por sua clareza e eficácia. Mais do que decorar os passos, compreender o que está acontecendo durante a crise ajuda a agir com mais segurança e tranquilidade.

O que acontece durante uma crise convulsiva

Durante uma crise convulsiva, ocorre uma atividade elétrica anormal no cérebro, que pode levar à perda de consciência, movimentos involuntários e perda momentânea do controle corporal. Na maioria dos casos, a crise é autolimitada, ou seja, ela termina espontaneamente após alguns minutos. O principal objetivo de quem está ao redor não é interromper a crise, mas proteger a pessoa de possíveis lesões. É justamente nesse ponto que o protocolo C.A.L.M.A. se torna essencial.

Protocolo C.A.L.M.A.

O protocolo C.A.L.M.A. organiza de forma simples e prática as condutas recomendadas durante uma crise convulsiva.

C de Coloque

Coloque a pessoa de lado, com a cabeça elevada para que não sufoque com a saliva (não tente segurar braços e pernas).

A de Apoie

Apoie a cabeça dela sobre algo macio para protegê-la. (não tente abrir a boca para colocar nada).

L de Localize

Localize objetos que podem machucar a pessoa e afaste-os (retire o óculos e afrouxe roupas apertadas).

M de Monitore

Monitore o tempo, se a crise durar mais que 5 minutos ou acontecer de novo, ligue para o SAMU (192).

A de Acompanhe

Acompanhe a pessoa, até ela acordar, em casos de ferimentos ou a primeira crise na vida, chame o SAMU (192).

O que não deve ser feito

Além de seguir corretamente o protocolo, é fundamental evitar algumas atitudes que ainda são bastante comuns.

Não se deve tentar conter os movimentos da pessoa, pois isso pode causar lesões. Também não se deve colocar objetos na boca, já que isso não previne complicações e pode provocar ferimentos.

Oferecer líquidos ou qualquer substância durante a crise também é contraindicado, devido ao risco de aspiração.

Quando procurar ajuda médica

Embora muitas crises se resolvam espontaneamente, algumas situações exigem atendimento imediato.

Procure ajuda se a crise durar mais de cinco minutos, se houver repetição sem recuperação completa, se for a primeira crise da pessoa ou se ocorrer algum ferimento.

Nesses casos, o acionamento do SAMU pelo número 192 é a conduta adequada.

A importância da informação correta

Saber como agir durante uma crise convulsiva reduz riscos, evita complicações e transmite mais segurança para quem está ao redor.

Além disso, o conhecimento contribui para reduzir o estigma associado à epilepsia, promovendo mais acolhimento e compreensão.

Conclusão

As crises convulsivas podem ser impressionantes, mas, na maioria das vezes, não representam uma emergência grave quando manejadas corretamente. O protocolo C.A.L.M.A. oferece um guia simples, direto e eficaz, que pode ser aplicado por qualquer pessoa. Mais do que agir rapidamente, o mais importante é agir corretamente.